| 5. A LUTA ECONÔMICA DOS TRABALHADORES |
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Já vimos que há uma luta permanente entre burgueses e proletários, porque seus interesses econômicos são antagônicos. Os burgueses lutam para aumentar sua taxa de lucro. Para isto procuram, sempre que podem: rebaixar o salário real dos proletários; aumentar a produtividade pelo aumento da jornada de trabalho pelo aumento do ritmo do trabalho e também pela introdução de novas tecnologias; explorar, ainda mais, o trabalho da mulher e do menor; evitar despesas com a melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores etc. A LUTA ECONÔMICA DOS TRABALHADORES vai justamente em sentido contrário a tudo isso. Os trabalhadores lutam por aumentos reais de salários; diminuição da jornada de trabalho; ritmo de trabalho normal; nenhum prejuízo dos trabalhadores com introdução de novas tecnologias, como é o caso da "robotização"; reconhecimento dos direitos da mulher trabalhadora e do menor trabalhador; melhores condições de trabalho, como segurança, salubridade, transporte do bairro para a empresa etc.; melhores condições de vida; além de férias, estabilidade no emprego e muitas outras reivindicações. Sabe-se que, em épocas de expansão da economia capitalista, aumenta a procura da força de trabalho. Assim, os operários têm mais chance de ganharem em suas reivindicações. Pelo contrário, em épocas de retração e crise da economia capitalista, a procura da força de trabalho cai. Assim, diminuem (mas não desaparecem) as chances de os operários conseguirem vitórias em suas reivindicações. No entanto, as possibilidades de os trabalhadores obterem vitórias em suas lutas econômicas contra os patrões dependem de um outro fator ainda mais importante do que a conjuntura do mercado. Referimo-nos à forma de luta, individual ou coletiva, que os trabalhadores usam no enfrentamento com os patrões. Individualmente o trabalhador está numa posição muito desvantajosa, como já vimos ao tratar do "livre contrato de trabalho". Lutar sozinho contra o patrão é apostar na derrota certa. Alguns trabalhadores tentam melhorar sua situação com um tipo de ação individual diferente: "Puxando o saco" dos patrões (ou de seus representantes). As vezes, estes "puxa-sacos" conseguem algumas migalhas a mais para si mesmos, à custa da traição que fazem a seus companheiros de classe. A outra forma de luta, a da ação coletiva dos trabalhadores, aumenta muito as possibilidades de terem suas reivindicações atendidas. A história da classe trabalhadora mostra que, quando os operários reivindicaram unidos e organizados, sua força aumentou muito e conseguiram importantes vitórias. Da constatação de que cada trabalhador sozinho é fraco para enfrentar os patrões, os trabalhadores entenderam que havia necessidade de se unir e organizar, para barganhar melhores condições para sua força de trabalho. Foi assim que surgiram, já há cerca de duzentos anos, as organizações de trabalhadores, como os sindicatos; e as manifestações coletivas dos trabalhadores, como as greves. É verdade que houve naquelas épocas manifestações de revolta, individuais ou coletivas, que não trouxeram resultados práticos para a classe trabalhadora, como quebrar as máquinas e o prédio da empresa etc. Aos poucos, estas formas de luta, chamadas "selvagens", foram sendo substituídas por outras, mais eficazes.
5.1. OS SINDICATOS Os sindicatos, na sua origem, nascem como organizações de reivindicações econômicas da classe trabalhadora: por melhores salários, melhores condições de trabalho e de vida, Quer dizer que eles não tinham como principal objetivo prestar assistência médica, jurídica, lazer, embora esta parte assistencial também quase sempre tenha existido. Não tinham também, na sua origem, uma finalidade formalmente política, no sentido de apoiar, contestar ou influir no "poder público", embora sempre acabavam por entrar em choque com este "poder público". Ou eram, às vezes, cooptados por ele. Os sindicatos eram associações espontâneas dos trabalhadores, independentes do Estado e autônomos em relação aos partidos políticos. À medida que os sindicatos passaram a contestar não apenas aspectos do capitalismo, mas a sociedade capitalista como um todo, isto é, a hegemonia da classe burguesa, adquiriram também um caráter político revolucionário. 5.2. AS GREVES As greves também, na sua origem, aparecem como instrumentos de reivindicação econômica. Pode-se dizer que a greve é uma prática que decorre do princípio capitalista do livre mercado. Vejamos. O proprietário de uma mercadoria, por exemplo, o dono dos sapatos, pode querer vender ou não os sapatos, no mercado, dependendo do preço e condições que lhe oferecem por eles. Como proprietário dos sapatos, ele tem o "sagrado" direito de dispor de sua mercadoria: vendendo-a ou então se recusando a vendê-la em condições que julga desfavoráveis. O proletário, que é proprietário da mercadoria força de trabalho, deve ter assim o mesmo direito de vender sua mercadoria, ou então de se recusar a vendê-la. A diferença é que o trabalhador não tem condições de fazer isto individualmente, por razões que já vimos. Então, ele recusa sua força de trabalho, em conjunto com seus companheiros, que estão na mesma situação. E exige melhores condições de venda para a sua mercadoria, como condição de volta ao trabalho. Portanto, a greve em si desenvolve-se dentro dos limites e das regras do jogo da economia capitalista.
Outra coisa é o que a greve contribui para elevar o nível de consciência política dos trabalhadores, ao perceberem sua própria força quando agem coletivamente: então passam a reivindicar não apenas melhores salários e condições de trabalho, mas a substituição do sistema capitalista. Algumas greves também acabam adquirindo um caráter político, quando não se dirigem apenas contra um burguês particular, ou uma categoria de burgueses (por exemplo, contra o "Grupo 14" da Fiesp), mas contra toda a burguesia e seu Estado, como às vezes acontece nas greves gerais. É o que ocorre também quando a greve é usada como ação coadjuvante, em um processo revolucionário, para a tomada do poder (por exemplo, quando os sandinistas tomaram o poder na Nicarágua). |
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3. O processo de produção das mercadorias. Salário. Mais-valia |
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