| 2. A MERCADORIA E SEU VALOR |
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Na sociedade capitalista, vivemos rodeados de mercadorias. Alimentos, roupas, eletrodomésticos, arte, diversões, e até as próprias pessoas estão aí para ser comercializadas.
Mas como é a natureza da mercadoria? Como é que mercadorias que são tão diferentes entre si, como, por exemplo, arroz e sapatos, podem ser trocadas umas pelas outras, em certas proporções? A mercadoria, antes de tudo, é um objeto que tem um duplo valor: o valor de uso e o valor de troca. O valor de uso se baseia na qualidade própria da mercadoria, depende da necessidade e até do gosto de cada pessoa. Por isso, o valor de uso não dá para ser medido. O valor de troca, pelo contrário, não se baseia na qualidade própria da mercadoria, e pode ser medido. Por exemplo: um par de sapatos que é trocado por 20 quilos de arroz. O que indica esta troca? Indica que um par de sapatos tem um valor de troca equivalente a 20 quilos de arroz. Mas o que existe de comum entre estas duas coisas tão diferentes? O que existe de comum entre sapatos, arroz ou qualquer outra mercadoria é que todas elas são produtos da FORÇA DE TRABALHO do homem. Só pela ação da força de trabalho humano é possível aproveitar as riquezas que a natureza oferece, transformando-as de acordo com as necessidades e conveniências. Portanto, é a força de trabalho humana que está presente em todas as mercadorias.
E o que faz com que as mercadorias possam ser trocadas? Isto é, o que faz com que as mercadorias tenham um valor equivale? É o TEMPO MÉDIO DE TRABALHO que foi gasto para produzi-las. Um par de sapatos pode ser trocado por 20 quilos de arroz porque para se produzir um par de sapatos o operário gasta em média o mesmo tempo de trabalho que o camponês gasta, em média, para produzir 20 quilos de arroz. Portanto, o valor de troca das mercadorias se baseia na força de trabalho do homem e se mede pelo tempo médio de força de trabalho necessário para a produção das mercadorias. Para facilitar as trocas, os homens passaram a usar uma mercadoria que funciona como equivalente geral para todas as outras, o DINHEIRO, em forma de ouro, prata, ou de papel-moeda que os representa. Com a chegada do dinheiro, as trocas diretas de mercadorias, que costumavam ser feitas entre os produtores independentes, praticamente desapareceram. Mas, seja através da troca direta, seja através do dinheiro, o valor das mercadorias trocadas deve ser equivalente, quer dizer, o tempo médio de trabalho humano gasto para produzi-las é o mesmo. Mas alguém poderia dizer que não dá para medir o valor das mercadorias pelo tempo gasto pelo trabalhador na sua produção, porque existem varias profissões, e dentro de cada profissão existe o oficial, o meio-oficial, o aprendiz etc. E verdade que existem estas diferenças. Porém, isto indica apenas que a força de trabalho qualificada, por causa da maior habilidade e treinamento, produz 2, 3, 4... vezes mais valor, em determinado tempo de trabalho, do que a força de trabalho não-qualificada. Isto quer dizer que a qualificação da força de trabalho potencializa o tempo de trabalho. De qualquer forma, potencializado ou não, é o tempo de trabalho que determina o valor das mercadorias, Então, o valor das mercadorias (valor de troca) resulta da força de trabalho incorporada nelas. E o preço resulta das variações para mais ou menos, em torno do valor, segundo a lei da oferta e procura. |
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3. O processo de produção das mercadorias. Salário. Mais-valia |
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