Hoje é Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 - 07h 15min.


4. O AUMENTO DA EXPLORAÇÃO E A ACUMULAÇÃO DE CAPITAL

Para conseguir taxas de lucros maiores, interessa aos capitalistas pagar salários baixos e aumentar a produtividade dos trabalhadores, além de evitar despesas que melhorariam as condições de trabalho e de vida dos operários (segurança, salubridade etc.). Evidentemente os interesses dos trabalhadores são contrários a estes. Então há uma luta constante entre as duas classes.

Vimos que o capitalista está sempre interessado em obter lucros, isto é, em extrair mais-valia do trabalhador. Mas para quê? Acima de tudo para ACUMULAR CAPITAL.

Claro que ele vai tomar uma parte do lucro para atender às suas necessidades, confortos e caprichos. Mas não é este o objetivo principal do capitalista, e sim a acumulação de capital, que além de ser um desejo dele, é também uma necessidade de cada capitalista, visto que se trata de uma sociedade de rígida competição.

Para o burguês, "dinheiro serve para produzir mais dinheiro". Esta é a fórmula do capital: D - M - D1 - M - D2 - M - D3... Com dinheiro ele compra mercadorias (matéria-prima, máquinas... + força de trabalho) que, transformadas em novas mercadorias, vão ser vendidas e transformadas em uma quantia maior de dinheiro, que vai servir para comprar mais matérias-primas etc... e assim indefinidamente.

A fórmula do trabalho ao invés é: M - D - M - D - M... O trabalhador possui a mercadoria força de trabalho. Vendendo-a, ele obtém uma quantia de dinheiro para comprar comida, roupas, remédios, enfim, mercadorias para recompor sua própria mercadoria, sua força de trabalho, com a qual ele obtém outra quantia de dinheiro... e assim indefinidamente.

Para acumular mais capital, os burgueses procuram explorar sempre mais os trabalhadores. Uma forma de AUMENTAR A EXPLORAÇÃO é rebaixar os salários reais dos trabalhadores. É o que vem acontecendo no Brasil intensamente, há muitos anos, em especial de 1964 em diante. Mas existem outros meios também de aumentar a exploração.

4.1. JORNADA DE TRABALHO. RITMO DE TRABALHO. MAIS-VALIA ABSOLUTA. MAIS-VALIA RELATIVA

Uma das formas que os capitalistas têm para aumentar a exploração sobre os trabalhadores é o AUMENTO DA JORNADA DE TRABALHO.

Voltando ao nosso exemplo da fábrica de sapatos: se, ao invés de 8 horas, os patrões fizerem os operários trabalharem 12 horas por dia, estes produzirão mais-valia durante 10 horas, e não apenas durante 6 horas, já que o trabalho necessário continua sendo o mesmo de 2 horas. Com isso, os patrões aumentaram o tempo do trabalho não-pago.

Os burgueses sempre procuram aumentar a jornada de trabalho, e os proletários sempre procuram diminuí-la. Nas fases iniciais do capitalismo, os operários trabalhavam até 14, 16 ou 18 horas por dia. Depois, foi conquistada a jornada de 8 horas.

No Brasil, a lei determina a jornada de 8 horas, mas faz exceção “por motivo de força maior", o que abre uma brecha que, na prática, anula a jornada de 8 horas. Todos sabemos que as horas-extras que aumentam a jornada tornaram-se comuns no Brasil, seja por causa das pressões dos patrões, seja por causa dos baixos salários.

Quando os patrões aumentam a mais-valia, prolongando a jornada dos trabalhadores, acontece o AUMENTO DA MAIS-VALIA ABSOLUTA.

Mas existe também outro meio de aumentar a exploração, sem aumentar a jornada de trabalho: pelo AUMENTO DO RITMO DE TRABALHO, pela introdução de TECNOLOGIA MAIS AVANÇADA, ou pelo BARATEAMENTO DAS MERCADORIAS NECESSÁRIAS À SOBREVIVÊNCIA do trabalhador e sua família. Assim diminui o tempo de trabalho necessário em que é empregada a força de trabalho, aumentando o tempo do trabalho excedente e, portanto a mais-valia. É o que se chama de AUMENTO DA MAIS-VALIA RELATIVA. Relativa porque, mesmo sem acréscimo de tempo de trabalho, aumenta a parte da mais-valia em relação ao salário.

4.2. A SUPEREXPLORAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Vimos que a burguesia explora o proletariado, extraindo mais-valia de sua força de trabalho. A exploração consiste na apropriação que os patrões fazem do trabalho excedente do operário. Mas quando os trabalhadores estão pouco organizados e há excesso de oferta de força de trabalho, a burguesia não se contenta em se apropriar do trabalho excedente do operário, mas invade também a parte do trabalho necessário. A este fato chama-se de SUPEREXPLORAÇÃO da força de trabalho.

Não recebendo pela sua força de trabalho nem o mínimo indispensável para a sua sobrevivência e da sua família, toda a família do trabalhador tem de se lançar ao mercado de trabalho, ou, então, tem de se sujeitar a uma situação de miséria extrema.

Esta situação de superexploração, hoje, é muito comum nos países subdesenvolvidos e dependentes, como é o caso do Brasil. Basta reparar para o fato de que, segundo cálculos do DIEESE, para satisfazer a necessidades básicas de uma família média (4 pessoas), o salário mínimo deveria ser (de acordo com própria lei burguesa) várias vezes superior ao salário mínimo oficial. A gravidade desta situação é tanto maior quando se sabe que, no Brasil cerca de metade dos trabalhadores ganham até um salário mínimo.

1. Burgueses e proletários

2. A mercadoria e seu valor

3. O processo de produção das mercadorias. Salário. Mais-valia

5. A luta econômica dos trabalhadores

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